segunda-feira, 2 de novembro de 2009

CULTURA BRASILEIRA

31 DE OUTUBRO: DIA DA BRIGA DO SACI PERERÊ COM AS BRUXAS


Dia 31 de outubro pode ser classifcado como o período anual da briga entre a bruxa e o saci. É nesta data que alguns países, em especial os Estados Unidos, comemoram o Halloween. Eque o Brasil - em uma atitude de resistência cultural - homenageia o seu folclore, com o Dia do Saci.


O Projeto de Lei 2479/2003, que pede a instituição da data no calendário brasileiro, afirma que “a sua intenção é ensinar às crianças que o país também tem seus mitos, difundindo a tradição oral, a cultura popular e infantil, os mitos e as lendas brasileiras”. Ou seja, um antídoto contra a invasão da cultura estrangeira, em favor da preservação dos valores verde-amarelos.
O Halloween foi popularizado pelos Estados Unidos, mas tem duas origens. Primeiramente a data marcava o início do inverno para o povo celta, que associava a estação aos mortos e à escuridão, daí as fantasias de fantasmas, bruxas e monstros. Na religião católica, houve uma tentativa de frear estas comemorações pagãs, por isso passou-se a celebrar a véspera do dia de todos os santos (em inglês: "All hallow's eve").
Enfim, essa é uma história que nada tem a ver com o Brasil e sua gente. Já o dia do Saci- Pererê é uma ode a um personagem típico brasileiro, como forma de valorizar a cultura nacional. Conhecido por usar um gorro vermelho, pular de uma perna só e fazer brincadeiras, o Saci é parte de uma lenda que originou-se entre as tribos indígenas do sul do Brasil.
Inicialmente, o saci era retratado como um curumim endiabrado, com duas pernas, cor morena, além de conhecedor e defensor da floresta. No século 17, foram encontrados os primeiros registros sobre o Saci e, ao percorrer o território nacional, a lenda foi sendo adaptada e modificada por onde passava. Por esse motivo, o menino passou por algumas modificações ao longo da vida.
Com a influência da mitologia africana, o Saci se transformou em um negrinho que perdeu a perna lutando capoeira, além disso, herdou o pito, uma espécie de cachimbo, e ganhou da mitologia européia, um gorrinho vermelho. Já desta forma ele aparece como um dos principais personagens dos livros de Monteiro Lobato, na série Sítio do Picapau Amarelo, responsável por uma grande exposição e reconhecimento do Saci em todo país.
A principal característica do Saci é a travessura. Brincalhão, ele se diverte com os animais e com as pessoas, e acaba causando transtornos como: fazer o feijão queimar, esconder objetos, jogar os dedais das costureiras em buracos e etc.
A lenda que envolve o Saci foi passada entre tribos e gerações, fazendo com que cada um adicionasse ou adaptasse sua versão da história. Segundo alguns relatos, o Saci pode desaparecer em um lugar e aparecer em outro. Também se diz que está nos redemoinhos de vento e pode ser capturado jogando uma peneira sobre os redemoinhos. Após a captura, deve-se retirar o capuz da criatura para garantir sua obediência e prendê-lo em uma garrafa.
Personagem de narrativas do interior, o Saci é menos reconhecido nas cidades grandes. O alcance internacional quase não existe por ser parte de uma cultura muito típica do paíse pouco divulgada no exterior. Então, no quesito popularidade, o Saci ainda está perdendo feio para as bruxas, fantasmas e abóboras do Halloween. Daí a importância de ressaltar o Dia do Saci, uma data feita para que os próprios brasileiros resgatem sua rica cultura, valorizando mais esse mocinho tão carismático do folclore
.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

MEUS 52 ANOS (ilustrado)

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

2 POEMAS CURTOS

OUVIDO ATENTO


Sempre atento,
ouço o que dizem
ao meu redor,
escrevo
e sigo.

Desavisado,
vem alguém
dizendo-me poeta:
fama injusta
que carrego.

por JL Semeador
em 07/10/2009



SINAIS TROCADOS


Chove vento,
sopra chuva
e é primavera.

O poema, ao relento,
sofre as intempéries
da falta de inspiração.

Iverson Carneiro
Rio, 09/10/2009

terça-feira, 6 de outubro de 2009

POEMA DE BRÁULIO TAVARES

O CASO DOS DEZ NEGRINHOS
(Romance Policial Brasileiro)


Dez negrinhos numa cela
e um deles já não se move.
Fugiram de manhã cedo,
mas eram nove.

Nove negrinhos fugindo
e um deles, o mais afoito,
dançou: cruzou com uma bala...
Correram oito.

Oito negrinhos trabalham
de revólver e canivete;
roupa caqui vem chegando,
fugiram sete.

Sete negrinhos passando
pela rua de vocês;
alguém chamou a polícia,
correram seis.

Seis negrinhos dão o balanço:
bolsa, anel, relógio, brinco...
Houve um erro na partilha,
sobraram cinco.

Cinco negrinhos de olho
na saída do teatro.
Um vacilou, deu bobeira...
Correram quatro.

Quatro negrinhos trombando,
todos quatro de uma vez.
Um deles a gente agarra,
mas fogem três.

Três negrinhos que batalham
feijão, farinha e arroz.
Um se deu mal: a comida
dava pra dois.

Dois negrinhos se embebedam
de Brahma, cachaça e rum.
Discussão, briga, navalha...
e fica um.

E um negrinho vem surgindo
no meio da multidão.
Por trás desse derradeiro...
vem um milhão.

CONTO


O CASO DA VOZ


“Será?!” - o inspetor Jozildo encafifado.
Noite entrando na noite, acendendo os milhares de bicos de luz do morro ao fundo, que emolduram o som seco das rajadas.
A pequena rua do bairro dissimula uma calmaria que não convence o inspetor Jozildo. O movimento de carros é quase nenhum. Barulho, barulho mesmo, vem da igreja em frente e da radiola de ficha que toca CDs no botequim, onde um grupo de policiais comemora o sucesso da última incursão - dois traficantes mortos, mais de duzentas trouxinhas de maconha e um incontável número de papelotes apreendidos - na noite anterior. Agora estão de folga, que ninguém é de ferro.
O boteco é minúsculo e em seu salão espremem-se seis mesas. Cinco são para os fregueses, oito no mínimo em cada uma. A do fundo é cativa do apontador do bicho. No balcão freezer biscoitos, balas, paçocas e outras guloseimas, refrescos de diversas marcas e a velha caixa registradora. Em cima do balcão do fundo a pia engordurada, a cafeteira, o espremedor de laranjas, um velho liquidificador, um paninho sujo e rasgado e uma esponja esfarrapada. Copos e pratos mal lavados. Na parede, prateleiras devoradas por cupins equilibram garrafas de bebidas diversas. Cachaças, conhaques e licores baratos, uma paisagem com moldura e um poster do time do Flamengo dos tempos de Zico e cia.
A igreja, ao contrário, a despeito de ter nascido quase um barraco, cresceu e agora é um belo templo, orgulho do pastor e da comunidade.
“Quem pode mais do que Jesus?” - a voz, provocando os fiéis.
“Ninguém! Aleluia! - o povo, vibrante.
“Cantemos em nome do Senhor Jesus!” - a voz.
“Aleluia! Glória a Deus, Senhor!” - o povo. Cada vez mais envolvido.
“Hino” - todos cantam ao som de uma banda de guitarra, contrabaixo, bateria e teclado, tudo conduzido pela voz.
“Será?!” - o inspetor Jozildo. Vira mais uma dose de conhaque barato.
Um bêbado entra no boteco tropeçando nas próprias pernas e nas de outros fregueses. É empurrado mas não liga. Vive da própria desgraça e nela não cabem mais personagens. - “Puta! Puta safada! Eu te mato! Eu vô matá essa puta! Ninguém vai me fazê de corno! E vô matá o sacana do amante dela, também! Ninguém me faz de corno!” - o bêbado, inexoravelmente trôpego.
“Seu guarda, eu não sou delinquente…” - a radiola vomita o brega, como se também estivesse bêbada.
“Será?!” - o inspetor Jozildo, tentando entender o magnetismo daquela voz que assim, noite entrando pela noite, parece tão crente, tão convicta.
“Será?!”
Sete dias atrás ele recebera da chefia a missão de investigar uma série de assassinatos intrigantes. Primeiro foi uma mulher negra aparentando dezoito ou dezenove anos. Mais uma negra e por último uma loura, ambas parecendo ter a mesma idade da primeira vítima. Todas apresentavam marcas de tortura nos braços, pernas, seios; todas violentadas sexualmente e com uma apenas bala na cabeça. Mas o intrigante do caso mesmo são os CDs. A mesma música frenética, os mesmos gemidos, a mesma voz. Sobre o púbis de cada um dos corpos mutilados.
“Tira, gostosa, tira logo esse topzinho e dá esses peitinhos pra gente chupar! Isso, mostra, vira pra nós! Que peitinhos! Em nome de Jesus! Aleluia! Tira essa sainha de uma vez! Vira essa bundinha pra cá! Dá pra gente morder! Tira essa sainha e vira essa bundinha pra cá! Ai, que loucura! Agora tira a calcinha! Assim! Mostra a buceta pra nós! Dá ela pra nós! Ai, eu tô gozando! Gozemos todos juntos! Em nome de Jesus! Aleluia!” - a voz dos CDs.
O curso das investigações o levaram a uma boite do centro da cidade. Ao entrar deparou-se com três vitrines cercadas por populares que se masturbavam, onde três mulheres belas e jovens faziam strip-tease ao som da mesma música, dos mesmos gemidos e - “Tira, gostosa, tira logo esse…” - da mesma voz. A mesma gravação das fitas encontradas junto às mortas. “Elas certamente trabalharam ali. E dali, com certeza, foram levadas para a morte. “Quem as matou?” - o inspetor Jozildo. Não tinha a mínima idéia, a mínima pista. Agora, ali, naquele boteco, e aquela voz.
Sons de sirenes e rajadas vindos do morro. Ruídos de vozes abafadas vindas da rua. Carros poucos. Garrafas muitas. Cheias e vazias. Tim-tins dos copos. Bêbados, poetas, putas, cafetões, travestis se misturam.
Hinos e orações a plenos pulmões do outro lado da rua . A sinfonia da algazarra.
“Seu Elias, desce mais uma!” - o cafetão da penúltima mesa.
“Cadê o meu aipim frito?!” - o peão agarrado a uma puta.
“Algum irmão doente quer se curar em nome do Senhor Jesus?!” - a voz da igreja.
“Seu Elias, cadê a minha loura?” - o cafetão insiste.
“Me dá um caldinho, seu Elias?!” - o bêbado quase caindo.
“Eu, pastor!” - uma jovem bela e aparentemente cega.
“Eu também!” - um velho em cadeira de rodas.
“Seu Elias, a minha loura, porra!” - o cafetão, irritado.
“Já vai! Num tá vendo que essa merda de bar tá botando bebum pelo ladrão?! Eu sou um só, porra!
“Levanta e anda, irmão! Em nome do Senhor Jesus!” - a voz. O velho levanta e sai andando, primeiro claudicante, depois com firmeza.
“Ele andou, irmãos! Em nome do Senhor Jesus, ele andou! Aleluia!” - a voz, frenética.
“Aleluia! Em nome de Jesus! Aleluia!” - transe geral na igreja.
“Será?!” - o inspetor Jozildo.
Mais tiros e mais sirenes vindos do morro. Um comboio de pivetes algemados entre si, passa escoltado por um grupo de PMs. fortemente armados. São todos negros e cabisbaixos. Todos. PMs. e pivetes. Apesar da falsa arrogância dos fardados.
Os fregueses do boteco correm para a porta a fim de saborear a cena. Até o cafetão. Precisa aproveitar enquanto pode. Qualquer dia desses vai ser com ele.
Um silêncio domina a rua. Ou melhor, um pedaço dela.
Os policiais amigos do inspetor Jozildo também se levantam e pedem a conta. Pagam. “Vamos, inspetor.” - um policial para Jozildo.
“Não. Eu vou ficar mais um pouco.” - o inspetor Jozildo. Ele não quer ir embora. Ele quer ficar ali. Ele precisa ficar ali.
“Aleluia, irmã! Em nome de Jesus!” - a voz. Coloca as mãos sobre os olhos da mulher e aperta com força. - “Para onde só há trevas que o Senhor Jesus traga a luz! Aleluia!”.
“Aleluia! Em nome do Senhor Jesus!” - vozes da platéia em coro.
“Abre os olhos, irmã! O Senhor Jesus te devolveu a
luz! Aleluia!” - a voz, elevando fortemente o tom.
“Eu tô vendo! Eu tô vendo! Aleluia! Em nome do Senhor Jesus! Eu tô vendo! Aleluia!” - a mulher demonstrando espanto.
“Aleluia! Em nome de Jesus!” - toda a platéia. Histeria generalizada.
“Oremos, irmãos! Em nome do Senhor Jesus, oremos pelo irmão que andou! Aleluia!” - a voz estimulando o clima de histeria.
“Aleluia!” - todos.
“Oremos pela irmã que enxergou! Aleluia!” - a voz.
“Aleluia!” - todos.
“Oremos e cantemos para celebrar o Senhor Jesus!” - a voz canta acompanhada pela banda. Todos cantam.
A voz penetra cada vez mais nítida na intuição policial do inspetor Jozildo. Ele não tem mais dúvidas. É ela. Sabe que pouco ou nada pode contra aquela voz potente e poderosa. Mas não quer sair dali. Quer ficar ali. Precisa ficar ali. Para saborear a sensação do dever cumprido. Tem certeza que resolveu mais um caso. Ainda que tenha de calar. Mesmo que não possa falar nada pra ninguém.
“Tira essa calcinha duma vez, porra! Em nome de Jesus!” – “Seria a mesma voz?” - pensativo o inspetor Jozildo
“Essa voz!” - assustado com a própria descoberta.
“Mas, e se estiver enganado?”
“Será?!”.

POLÍTICA

A LIÇÃO QUE LULA DEU AO RIO DE JANEIRO E AO BRASIL

Texto extraído do Blog do Leandro Fortes


Lula poderia ter agido, como muitos de seus pares na política agiriam, com rancor e desprezo pelo Rio de Janeiro, seus políticos, sua mídia, todos alegremente colocados como caixa de ressonância dos piores e mais mesquinhos interesses oriundos de um claro ódio de classe, embora mal disfarçados de oposição política. Lula poderia ter destilado fel e ter feito corpo mole contra o Rio de Janeiro, em reação, demasiada humana, à vaia que recebeu – estranha vaia, puxada por uma tropa de canalhas, reverberada em efeito manada – na abertura dos jogos panamericanos, em 2007, talvez o maior e mais bem definido ato de incivilidade de uma cidade perdida em décadas de decadência. Vaiou-se Lula, aplaudiu-se César Maia, o que basta como termo de entendimento sobre os rumos da política que se faz e se admira na antiga capital da República. Fosse um homem público qualquer, Lula faria o que mais desejavam seus adversários: deixaria o Rio à própria sorte, esmagado por uma classe política claudicante e tristemente medíocre, presa a um passado de cidade maravilhosa que só existe, nos dias de hoje, nas novelas da TV Globo ambientadas nas oníricas ruas do Leblon.
Lula poderia ter agido burocraticamente a favor do Rio, cumprido um papel formal de chefe de Estado, falado a favor da candidatura do Rio apenas porque não lhe caberia falar mal. Deixado a cidade ao gosto de seus notórios representantes da Zona Sul, esses seres apavorados que avançam sinais vermelhos para fugir da rotina de assaltos e sobressaltos sociais para, na segurança das grades de prédios e condomínios, maldizer a existência do Bolsa Família e do MST, antros simbólicos de pretos e pobres culpados, em primeira e última análise, do estado de coisas que tanto os aflige. Lula poderia ter feito do rancor um ato político, e não seria novidade, para dar uma lição a uma cidade que o expôs e ao país a um vexame internacional pensado e executado com extrema crueldade por seus piores e mais despreparados opositores.
Mas Lula não fez nada disso.
No discurso anterior à escolha do Comitê Olímpico Internacional, já visivelmente emocionado, Lula fez o que se esperava de um estadista: fez do Rio o Brasil todo, o porto belo e seguro de todos os brasileiros, a alma da nacionalidade. Foi um ato de generosidade política inesquecível e uma lição de patriotismo real com o qual, finalmente, podemos nos perfilar sem a mácula do adesismo partidário ou do fervor imbecil das patriotadas. Lula, esse mesmo Lula que setores da imprensa brasileira insistem em classificar de títere do poder chavista em Honduras, outra vez passou por cima da guerrilha editorial e da inveja pura e simples de seus adversários. Falou, como em seus melhores momentos, direto aos corações, sem concessões de linguagem e estilo, franco e direto, como líder não só da nação, mas do continente, que hoje o saúda e, certamente, o aplaude de pé.
Em 2016, o cidadão Luiz Inácio da Silva terá 71 anos. Que os cariocas desse futuro tão próximo consigam ser generosos o bastante para também aplaudi-lo na abertura das Olimpíadas do Rio, da qual, só posso imaginar, ele será convidado especial.



Agência Carta Maior - 02/10/2009
O BRASIL DERROTA OS CORVOS
Emir Sader
“Corvo” foi o nome que ganhou Carlos Lacerda, como ave que busca rapina onde houver, senão, inventa. É o espírito udenista, golpista, que sucumbiu sucessivamente à liderança de Getúlio e das forças populares. Não ganhavam eleições, iam bater nas portas dos quartéis (“vivandeiras de quartel”, eram chamados), para tentar, pela força, o que não conseguiam pela persuasão. Até que, com o apoio decidido do governo dos EUA e da mídia – a mesma que agora: Globo, Folha, Estadão -, deram o golpe e instauraram a ditadura militar, que tantos males fez ao país.
Suas características são muito similares às dos corvos de hoje: são brancos, de classe média, odeiam o povo, tem seu núcleo básico em São Paulo, se agrupam em torno da imprensa, têm uma sólida convicção de que têm razão (mesmo contra todas as evidências e a grande maioria dos brasileiros), se refugiam em denuncias moralistas, detestam a América Latina e o sul do mundo (adorando os EUA e a Europa), crêem que São Paulo é a “locomotiva do país”, que arrasta os outros estados preguiçosos (o mesmo sentimento da sublevação de 1932, que eram separatistas). Também têm como característica ser sempre derrotados, tendo que apelar para suas armas preferidas – a força dos golpes e o monopólio da imprensa.
A campanha para trazer as Olimpíadas ao Brasil possibilitou distinguir os que amam o Brasil, mais além dos seus problemas e com todos os seus problemas, e os que têm suas almas corroídas pelo ódio, torceram e militaram contra o Brasil. (Um deles convenceu seus leitores a tal ponto que numa consulta que fez, ganhou Chicago contra o Brasil.) Agora se vestem de luto – a cor dos corvos – e já têm temas para amargurar o resto das suas vidas, até 2016. Para os que têm alma pequena, segundo Fernando Pessoa, a vida não vale a pena.
Estão há anos incomodados que o Brasil dê certo governado por um operário, sindicalista de base, nordestino, sem diploma universitário, que perdeu um dedo na máquina, enquanto aquele do qual são viúvas - supostamente a pessoas melhor qualificada para dirigir o Brasil - fracassou estrepitosamente e é repudiado pelo povo. Tem a alma corroída pelo ódio, pelo despeito, pelo rancor.
Lula tinha que dar errado, como Evo tinha que dar errado, como Hugo Chávez tinha que dar errado. Um é de origem nordestina e operária, o outro é indígena, o terceiro é um mulato. Mas quem fracassou foram os tucanos, aqui, com FHC, na Bolívia, com Sanchez de Losada, na Venezuela, com Carlos Andrés Perez. Não por acaso o governo de FHC apoiava àqueles, Lula apóia aos que os sucederam e, estes, por sua vez, têm a Dilma como candidata.
Essa geração de lacerdistas, corvos do século XXI, precocemente envelhecidos, pela frustração e pelo rancor, vegetarão o que lhes resta viver, ruminando reclamações contra o Campeonato Mundial de 2014 e contra os Jogos Olímpicos de 2016. Enquanto a caravana do povo brasileiro passa.

MORRI DE RIR

30 dicas para escrever bem


Autor: Professor João Pedro, da UNICAMP


1. Deve evitar ao máx. a utiliz. de abrev., etc.

2. É desnecessário fazer-se empregar de um estilo de escrita demasiadamente rebuscado. Tal prática advém de esmero excessivo que raia o exibicionismo narcisístico.

3. Anule aliterações altamente abusivas.

4. não esqueça as maiúsculas no início das frases.

5. Evite lugares-comuns como o diabo foge da cruz.

6. O uso de parênteses (mesmo quando for relevante) é desnecessário.

7. Estrangeirismos estão out; palavras de origem portuguesa estão in.

8. Evite o emprego de gíria, mesmo que pareça nice, sacou??... então valeu!

9. Palavras de baixo calão, porra, podem transformar o seu texto numa merda.

10. Nunca generalize: generalizar é um erro em todas as situações.

11. Evite repetir a mesma palavra pois essa palavra vai ficar uma palavra repetitiva. A repetição da palavra vai fazer com que a palavra repetida desqualifique o texto onde a palavra se encontra repetida.

12. Não abuse das citações. Como costuma dizer um amigo meu: "Quem cita os outros não tem ideias próprias".

13. Frases incompletas podem causar

14. Não seja redundante, não é preciso dizer a mesma coisa de formas diferentes; isto é, basta mencionar cada argumento uma só vez, ou por outras palavras, não repita a mesma ideia várias vezes.

15. Seja mais ou menos específico.

16. Frases com apenas uma palavra? Jamais!

17. A voz passiva deve ser evitada.

18. Utilize a pontuação corretamente o ponto e a vírgula pois a frase poderá ficar sem sentido especialmente será que ninguém mais sabe utilizar o ponto de interrogação

19. Quem precisa de perguntas retóricas?

20. Conforme recomenda a A.G.O.P, nunca use siglas desconhecidas.

21. Exagerar é cem milhões de vezes pior do que a moderação.

22. Evite mesóclises. Repita comigo: "mesóclises: evitá-las-ei!"

23. Analogias na escrita são tão úteis quanto chifres numa galinha.

24. Não abuse das exclamações! Nunca!!! O seu texto fica horrível!!!!!

25. Evite frases exageradamente longas pois estas dificultam a compreensão da ideia nelas contida e, por conterem mais que uma ideia central, o que nem sempre torna o seu conteúdo acessível, forçam, desta forma, o pobre leitor a
separá-la nos seus diversos componentes de forma a torná-las compreensíveis, o que não deveria ser, afinal de contas, parte do processo da leitura, hábito que devemos estimular através do uso de frases mais curtas.

26. Cuidado com a hortografia, para não estrupar a língüa portuguêza.

27. Seja incisivo e coerente, ou não.

28. Não fique escrevendo (nem falando) no gerúndio. Você vai estar deixando seu texto pobre e estar causando ambigüidade, com certeza você vai estar deixando o conteúdo esquisito, vai estar ficando com a sensação de que as
coisas ainda estão acontecendo. E como você vai estar lendo este texto, tenho certeza que você vai estar prestando atenção e vai estar repassando aos seus amigos, que vão estar entendendo e vão estar pensando em não estar falando desta maneira irritante.

29. Outra barbaridade que tu deves evitar chê, é usar muitas expressões que acabem por denunciar a região onde tu moras, carajo!... nada de mandar esse trem... vixi... entendeu bichinho?

30. Não permita que seu texto acabe por rimar, porque senão ninguém irá agüentar já que é insuportável o mesmo final escutar, o tempo todo sem parar.